terça-feira, 14 de outubro de 2008

José Sócrates

A saber-se da veracidade dos factos. Falso engenheiro, populista barato e pessoa mal formadaERC escondeu processo SócratesPúblico - 21.09.2008, José Bento Amaro Apesar de intimada pela Comissão de Acesso aos Documentos Administrativos (CADA), em Janeiro, a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) só agora permitiu que o Expresso consultasse o 'processo Sócrates', de quase 300 páginas. Inicialmente a ERC recusou a sua consulta, tendo o semanário protestado junto da CADA. A edição de ontem do jornal revelava pormenores sobre as audições, que tiveram como objectivo avaliar a existência de pressões sobre os jornalistas no caso do diploma de Sócrates. A ERC concluiu ser normal que existam pressões nas relações entre jornalistas e políticos. Esta conclusão é aventada no acórdão que se reporta às diligências efectuadas pelo Governo e pelo próprio primeiro-ministro, José Sócrates, para que fossem travadas as notícias sobre a sua licenciatura na Universidade Independente.Assumindo 'um certo grau de tensão', a ERC refere que ela é compreensível 'dada a cultura profissional dos primeiros e pelo choque que resulta do facto de ambas as partes agirem com interesses divergentes'. Por outro lado, a ERC entende que Sócrates, ao tentar travar na imprensa as notícias sobre a sua licenciatura, não efectuou qualquer pressão, antes fez démarches. A ERC concluiu que os telefonemas efectuados para o jornalista do PÚBLICO que investigava o caso, Ricardo Dias Felner, e para o director do jornal, José Manuel Fernandes, apesar de terem sido feitos pelo próprio Sócrates, não reuniam 'elementos factuais que comprovem ter existido o objectivo de impedir, em concreto, a investigação'. Tanto Ricardo Dias Felner como José Manuel Fernandes, nos depoimentos que fizeram na ERC, disseram que o modo como foram abordados pelo primeiro-ministro resultou numa 'tentativa de pressão ilegítima'. O director do PÚBLICO foi ainda mais longe, reportando-se à conversa com Sócrates, no decurso da qual o primeiro-ministro teria dito: 'Fiquei com uma boa relação com o seu accionista [Paulo Azevedo] e vamos ver se isto não se altera.' ERC legitima pressões de SócratesClube de Jornalistas - 21-09-2008, Humberto Costa e Rosa Pedroso Lima. Só nove meses depois da Comissão de Acesso aos Dados Administrativos (CADA) ter ordenado à Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) que divulgasse o conteúdo do 'processo Sócrates', o Expresso conseguiu aceder a este dossiê. Pagou €169,22 pelas quase 300 páginas, onde o Conselho Regulador minimiza todos os depoimentos e dados que apontavam para a existência de pressões do Gabinete - e do próprio primeiro-ministro - para travar as notícias sobre a sua licenciatura na Universidade Independente. ... O caso foi encerrado e arquivado, sem direito a consulta directa. Apenas o vogal e professor de Direito Gonçalves da Silva se opôs, considerando existirem 'elementos probatórios no processo' - nomeadamente através dos relatos dos jornalistas - 'que revelam a prática, pela parte do PM, de actos condicionadores do exercício da actividade jornalística'. Outras situações de suspeita de tentativa de ingerência do poder político junto da Comunicação Social investigados pela ERC tiveram o mesmo destino de arquivamento: os casos Rodrigues dos Santos, Cintra Torres e Lusa. Comentárío -- Como à época escrevi, não é crime, nem falta, nem sobretudo motivo de menos consideração, um primeiro ministro, ou qualquer pessoa, não ser 'engenheiro', ou 'doutor'. A tradição, muito portuguesa, mas que não existe em mais parte nenhuma do mundo civilizado, dos 'Sr. Doutor/a', 'Sr Engenheiro/a' e 'Sr. Arquitecto/a', tal como sermos todos 'Excelentíssimos' qualquer coisa, é o sinal típico de um atraso cultural bem escalpelizado por Eça de Queiroz. Vejam pois há quanto tempo! Se o episódio da má licenciatura do actual primeiro ministro, devesse servir para algo, esse algo seria proibir de uma vez por todas o tratamento por Dr., etc., em todos os organismos públicos do país, salvo hospitais, clínicas e consultórios, e com ressalva para o tratamento intra-profissional, isto é, entre os oficiantes do mesmo ofício. Como então escrevi, foi essa a primeira decisão do primeiro director-geral americano da Tabaqueira, quando esta foi comprada pela Philip Morris. As pessoas têm um nome próprio, e é por esse nome que devem ser tratadas em primeira instância. O uso de 'senhor' ou senhora' basta para relevar a importância, a deferência ou a cerimónia de um tratamento mais formal. Senhor Blair, Senhor Bush. Nem o exemplo alemão, que reserva o tratamento pelo título académico apenas aos doutorados com trabalho científico realizado, é aconselhável fora do universo profissional correspondente. A Doutora Angela Merkel (como é tratada na Alemanha, et pour cause), doutorada e investigadora de Química Quântica, além de doutora honoris causa pelas universidades de Lepzing e Hebraica de Jerusalém, fora do seu nicho universitário e científico, não deveria ser tratada senão como Senhora Angela Merkel. Lula da Silva, actual presidente do Brasil, é, e chega bem, o Senhor Luiz Inácio Lula da Silva, cuja formação surge descrita na Wikipedia, sem complexos e por forma a honrar qualquer pessoa honesta e trabalhadora, desta forma: Durante o período em que as duas famílias de seu pai conviveram, Lula foi alfabetizado no Grupo Escolar Marcílio Dias. A fim de contribuir na renda familiar, começou a trabalhar aos doze anos, em uma tinturaria. Durante o mesmo período também trabalhou como engraxate e office-boy. Aos quatorze anos começou a trabalhar nos Armazéns Gerais Columbia, onde teve a carteira de trabalho assinada pela primeira vez. Transferiu-se depois para a Fábrica de Parafusos Marte. Pouco depois, conseguiu uma vaga no curso técnico de torneiro mecânico do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI). Formou-se três anos mais tarde e, em 1963, empregou-se na metalúrgica Aliança, onde acidentou-se numa prensa hidráulica, o que lhe fez perder o dedo mínimo da mão esquerda.Esclarecido este ponto, que é importante e deveria levar os nossos condes de Abranhos a corrigir hábitos impróprios de gente civilizada, coisa muito diferente é avaliar a sucessão de trapalhadas que marcam a má formação profissional e ética de José Sócrates Pinto de Sousa, primeiro ministro de Portugal. Já na sua qualidade de primeiro-ministro, José Sócrates Pinto de Sousa autorizou que se publicasse uma biografia confusa e errada no ponto que se refere à sua formação académica e às suas efectivas aptidões profissionais. Depois, quando se soube da marosca, tentou por todos os meios, incluindo a coacção sobre os mais importantes órgãos de informação do país, evitar que o caso fosse tratado na praça pública, negando sucessivamente as evidências que iam surgindo. Finalmente, sob a pressão inexorável dos acontecimentos, que a blogosfera descobriu e os órgãos de comunicação social acabariam por tratar, alguns a contra-gosto, o primeiro-ministro deu uma entrevista televisiva onde, uma vez mais, meteu os pés pelas mãos.

1 comentário:

liaufg disse...

Bela aula, infelizmente, ficará na história, pelo lado ruim, é claro.