terça-feira, 20 de outubro de 2009

José Saramago e Penafiel



Saramago anda voltado pra Deus e de costas prós homens criadores e aduladores. Até aí, nada contra.
Que questione a Igreja e os seus valores anacrónicos, idém aspas, agora que volte a virar costas a um país que o idolatre, não!!! Sempre foi tido como o que desacata a ordem do pensamento, o que obriga a reflectir. Mas quando mexe com uma maioria chamada religiosa católica, não estará a tirar sarna pra se coçar?
O homem sempre precisou de deuses que o salvassem da escuridão, do fim, do grand finalle, da eternidade. Com os deuses, o homem agigantou-se, rumo à imortalidade. Não a conseguiu mas enquanto põe a ciência na procura do elixir, distrai deus e o homem, responsável pela criação do conceito "panista". Afinal, somos todos saramaguistas, nietzschianos, um pouco crentes, um pouco loucos. E viver o medo da morte quando a temos próxima e, ainda assim questionar o all mighty que aplaca esse medo é digno de coragem. Saramago é corajoso, enfrentando fantasmas que arrastamos connosco desde sempre. Podemos nunca virar imortais mas Saramago já conseguiu esse feito. Aclamado em Penafiel pelas suas obras, Caim sairá daqui mais imaculado que os Deuses todos. Quem, de entre nós, nunca tenha sido Caim, atire a primeira pedra.
Estou em pulgas pra ler o livro...

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